Esta minha mania de escrever parece que vai além de um simples dom, que agradeço sempre, é como uma saída de emergência. Mas por no papel tudo aquilo que eu sinto talvez um dia ainda me mate... talvez eu morra de palavras.
Me sinto tão cansada por ter que escrever tudo aquilo que está dentro de mim – caso o contrario, eu já havia explodido de tanto amor.. ou quem sabe até de tanto ódio. Estou farta de esconder tudo isso com palavras; não agüento mais ter de fingir aquilo que não sou, só para não parecer maluca; é tão surreal ter que aceitar aquilo que o destino lhe deu, só por não ter mais forças de correr atrás daquilo que o seu coração necessita; é cruel não ter tido a oportunidade de viver algo que tanto almeja, mesmo depois de tanto tempo.
Estou tão perdida e quanto mais escrevo mais coisas sinto, mais coisas penso e mais coisas saem do meu inconsciente e eu sinto que isso ainda há de me matar algum dia, porque já me tortura toda hora.
Penso que tu não sabes o quanto significas para mim, mas sei que, tens a certeza que estarei sempre do seu lado esperando por ti, mesmo que não venhas. Sei também que às vezes mostro-me inexistente à ti, mas sabes... não é fácil ter que desejar-te bem, sabendo que posso te fazer bem; sabes... é tão frustrante perguntar como tudo está, quando na verdade, quero que tu me digas que estás tudo tranquilo só porque estou ao teu lado.
Talvez eu tenha falhado quando julgueis que podias aceitar todo este amor e toda essa dedicação, embora sem escrúpulos e um tanto sem caráter, mas com toda a vontade existente na Terra. Explicando por menores... pensei que podia aceitar essa minha mania de viver e aceitar também esses meus sentimentos hiperbólicos – teríamos aí um principio de toda nossa história.
Eu já chorei, já sofri, já corri atrás, já joguei fora e a única coisa que me mantém sã, é saber que você talvez ainda esteja esperando por mim e que ainda tens vontade de me amar. Um dia a minha alma secou – por ter amado errado – só que, tu carregas no olhar e trás no sorriso uma fonte de vida, e quando deparei-me junto a ti, sente-me bem e não mais como uma sombra numa rua escura debaixo da chuva – na verdade, ao teu lado nem a chuva me tocava e nem a escuridão existia.
Antes me faltavam carinhos, faltavam-me estrelas, não existia ao meu redor sorrisos. Só lágrimas, dor, sofrimento; e havia aprendido a me contentar com isto, até sentia-me tranqüila quando vinham-me rios de lágrimas e dores no peito de tanto sofrimento. Eu achava que estava escondida com minha alma perdida e pensava que assim ninguém poderia invadir o meu mundo ilusório e sombrio. Mas você veio e eu percebi que tudo aquilo que eu julgava ser “minha vida”, não passava de um simples obstáculo para que eu realmente visse o que é a vida.