– Alô? – falei trêmula, quase que gaguejando.
– Alô! – ouvir a voz de Zeca me fez tranqüilizar.
– Zeca Foncci, por favor?
– Sou eu, meu amor.
– Como você está? Quanto tempo não nos vemos e nem nos falamos, sinto sua falta, sabia? – eu não sabia com que finalidade eu havia proferido tais palavras, mas apenas proferi-las.
– Se tu sentes a minha falta, imaginais quanta sinto de ti?
– eeerh... – não sabia como falar, nem ao menos o que falar depois de tal pergunta-afirmativa – a saudade bateu e eu tinha que ligar. Sinceramente eu não sei o porque, eu só sei que você me fez falta... e muita por sinal.
– A saudade bateu aí por agora? Pois ela veio aqui, bateu, sentou, esperou, se cansou e foi embora.
– Queria te ver, te encontrar, seria possível?
– Eu sempre estive aqui e você sabe disso.
– Acho que não mais quanto eu. – fora ai que o diálogo começara a se transformar em uma disputa. A disputa de quem talvez amasse mais... ou odiasse menos.
– Hum. – Definitivamente eu odiava essa monologia irritante e frustrante.
– eeerh... vou aqui, tenho coisas para fazer.
– Beijos.
E fez-se um silêncio durante três segundos, até eu mencionar uma frase ridicularmente entregatória.
– Eu te amo, nunca se esqueça disso.
– E eu amo você, minha pequena.
( Livro Utopia )